sexta-feira, março 16, 2007

Olhos fechados


E quando nos damos conta estamos longe, afastados por mares de indiferença e incompreensão… parece súbito, de repente as coisas mudam, aparecem perante os nossos olhos de um outro modo, como nunca antes as pudemos ver… se são os únicos e fugazes momentos de lucidez ou apenas o desespero e a gritar mais alto e a turvar-nos a realidade com a sua poderosa arma de distorção… não sei, acho que nunca saberei… de certo apenas tenho este desejo de mudar, de seguir outro caminho, outra direcção!

De olhos fechados a única coisa que me faz ter alguma esperança é a possibilidade de os abrir e ver outro cenário, um outro panorama…. É nisso que concentro todas as minhas forças, é com isso que sonho todos os momentos e é isso que ainda me dá alguma força para continuar a forjar um falso sorriso…

Mas o que mais custa é abrir os olhos, e ver que tudo permanece igual, que continuo aqui deitada, defronte a uma luz pálida de um monitor, onde vão surgindo lentamente rasgos de pensamentos difíceis de articular… é tão dura a realidade, tão difícil confronta-la que prefiro manter os olhos….fechados!

sábado, fevereiro 17, 2007

Momento



Do murmúrio, do ruído de fundo, de uma porta entreaberta surges. E não há tradução em vocábulos o quanto mexe por essa visão, por ter a minha própria face diante de mim.
Para longe foram varridos aqueles dias lúgubres em que a insana tristeza perseguia em me acompanhar...
Não há tormentos, não há tristeza, apenas há a sensação de estar a caminhar sobre o azul esverdeado de um imenso mar, numa maré tranquila. Com a insensatez típica dos felizes, de pensar que tudo permanecerá assim, ad eternum.



domingo, fevereiro 04, 2007

Natura

Quando as coisas correm bem parece que tudo está em sincronia connosco. Parece que todos os mais banais acontecimentos, os mais pequenos seres são alusões à nossa própria felicidade, que é constantemente transcrita em novas linhas desse código que comanda a natureza.
E a flor do jardim emociona, e o mais pequeno insecto comove, e tudo é em si e por si belo!
Queria poder viver assim para sempre, e preservar este estado sensível que brotou de mim saindo e aspirando tudo o que me rodeia como um doce trago de um suco que alimenta o eterno mundo dos sorrisos.

sábado, fevereiro 03, 2007

Por onde ando



Por estes dias tenho andado, tenho aprendido, tenho crescido!
Por estes dias calquei anos de aprendizagem, e experimentei o desejado ambiente salutar que tanto imaginava, e que nem em sonhos me parecera tão bom.
Esta será a minha última semana no paraíso. Estes serão os últimos dias de que disponho para sorver todo o conhecimento e oportunidades de que nunca julguei dispor.
Num mês dei um significado procurado a três anos de incertezas e a três meses de angústia...
Só posso agradecer a quem tão bem me acolheu e me fez sentir.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Perdida



E por um tempo que me parece impreciso pisei esse salutar chão, ouvindo os passos dessas gentes remotas. É incalculável e indescritível a paz que se sente perante tal espectáculo. É o regresso ao estado mais puro, mais ingénuo e mais feliz que encontro em mim.
E comigo esse leve ruído, único som ouvido por essas passagens, que se cria pela suave carícia das folhas nos meus pés a cada passo. Ao longe ouvem-se ainda um e outro animal que mostram a sua presença através de um límpido chilrear, de um estridente latir...
Em menos de nada voltei a ser a criança que fui em tempos, descalça, de trança dourada e sorridente. Voltei a descer aquele caminho de terra, numa pressa incansável de crescer. Voltei a ver o teu luminoso sorriso lá em baixo, à minha espera, mostrando-me já o calor de quem ama sem nada esperar senão um abraço e um sorriso de retorno.

sábado, dezembro 30, 2006

A liberdade individual




Hoje vou quebrar a imparcialidade que sempre tentei manter neste espacinho, por um simples motivo: por estar em causa a liberdade individual.
Acho que basta de demagogia, de falsos defensores da vida, que pretendendo viver na beleza de uma utopia desejam abrigar-se nela como numa bola de cristal...
De facto ninguém é pelo aborto, ninguém na realidade acha um acto louvável, muito menos, como muitos pretendem fazer passar um "contraceptivo" possível. Ninguém se pode é achar no direito de decidir a vida de pessoas cuja realidade não conhece, cujos motivos e razões não lhe interessam.
As pessoas contra o aborto, continuaram a não o fazer, em nada as suas vidas serão alteradas, mas em contrapartida, as mulheres que decidirem abortar, terão o mínimo de condições e dignidade, num acto que muitas vezes exige bem mais amor do que um limitar-se a trazer filhos ao mundo, porque isso, qualquer um faz!
O aborto é uma realidade, cabe-nos é a nós decidir se vale a pena escondê-la, se compensa varre-la para debaixo de um tapete de falsos valores nem que para isso se continuem a sacrificar vidas!

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Ano indo



Olho para trás e vejo um infindável trilho compassado a diferentes ritmos, ora seguro, ora intermitente. Vejo períodos lineares alternados por tortuosos caminhos...
Diante de mim, terreno novo, uma vida por escrever, decisões por tomar, que me levam lentamente à conclusão do trajecto.
No final deste ano não vou cometer aquele velho e crasso erro de fazer o balanço de algo que nunca se sabe ser ou não o ideal, não tenho essa pretensão... No final deste ano ambiciono tão-somente continuar trilhando pelas mesmas convicções!

Fantasia


"E era tão real, que eu só fazia fantasia, e não fazia mal!"

segunda-feira, dezembro 25, 2006

É Natal


É tempo de esquecer as amarguras de um ano no seu fim, é tempo de ampliar as boas coisas e nelas projectar um ano vindouro...
É tempo de desejar um feliz Natal a quem gostamos, e até a quem não gostamos tanto, mais do que dar e receber prendas, é tempo de reunião…
É acima de tudo, tempo de reencontro connosco. Numa busca pela estrela guia que nos há-de levar a Belém...
Boas Festas!

sábado, dezembro 23, 2006

Tristes olhos



Se dizem que não tens sentimentos,porque me olhas desse modo?
Porque vejo neles toda essa tristeza?

sexta-feira, dezembro 22, 2006

sábado, dezembro 09, 2006

Cala-te



Esse negro reflexo de mim que vai entrando no que eu sou, tornando-me numa era passada. E esse reflexo fala-me e move-me nos piores sentidos. Fala e convence que tudo é da sua negra cor, fala e eu deixo de ser eu...
Não quero mais ouvir essas agudas e dolorosas mentiras que proferes, não quero voltar a ver-te como reflexo de mim, quero que te cales e que te vás embora! Não serei mais um reflexo…quero ser eu!

sexta-feira, dezembro 08, 2006



"Quando se desespera pela espera daquele abraço"

quinta-feira, dezembro 07, 2006

A nossa casa



Pelos meus olhos fechados passam as imagens de momentos irrepetíveis, vejo essas faces que inúmeras vezes para mim sorriram, sinto esse aperto de braços contra o corpo tantas vezes desanimado, revivo os dias de estes anos de partilha. A partilha de pessoas que tentam aprender a sobreviver num mundo de adultos que ainda não são, pela necessidade de assumirem uma infância ida... Das tantas dúvidas, desilusões e tristezas sempre saíram grandiosos os momentos de alegria vibrando e ressonando em sonoras gargalhadas pelo céu de toda a cidade.
A paisagem que olho, por detrás da nossa janela não mais será a mesma, não mais será a da cinzenta e velha cidade que vi outrora, porque hoje ela é pintada com cores de amizade.

domingo, dezembro 03, 2006

Vens chegando lentamente



De todas as formas vens chegando. Nas ruas trazem-te as luzes, trazem-te os cheiros!
Trazem-te os rostos que se cruzam comigo, denunciando-o num sorriso, trazem-te embrulhado, em mil cores de fantasia.

sábado, dezembro 02, 2006

Como te vi e como te vejo




Como três anos mudam a forma de te ver. Bem mais bela me pareces hoje... perante a iminência de te deixar de contemplar!
Mas apesar de vir a ter saudades tuas... desejo mais que nunca poder ter o prazer de as sentir.. Queria poder saltar um ano, espiar e saber se cá estarei...e em que circunstâncias...

sábado, novembro 18, 2006

Portão



More than words

sexta-feira, novembro 17, 2006

Tédio




Insuportáveis, monotonamente iguais, uns dias insalubres sem maior interesse, senão o de voltar para casa no inicio da tarde de um dia já perdido!
Sistematicamente repito a mim mesma que é provisório,tento demover a sensação de conformismo e tristeza de se apoderar de mim!
Fixo de novo a minha atenção nas pequenas coisas que me realizavam e que fui deixando de fazer nestes dias!
Só mais uns dias, só mais uns anos, só mais quanto tempo?
Não quero mais dias insalubres!

sexta-feira, novembro 10, 2006

Poema



Porque tal poema não podia ficar como um simples comentário... tomei a liberdade de publica-lo!

"Passei alguns anos longe de ti!
Passei momentos de ausência
Quase que caí na demência
Malditas horas, que penitência
Acordei naquele dia
No momento em que me abraçaste
Me agarraste, animaste,
Afagaste calorosamente
Partilhaste o teu olhar entusiasta
No meu baço brilho ocular
E assim te deixaste estar
Não pronunciaste uma só palavra!
Remeteste-te unicamente ao silêncio
A um falar baixinho, um acompanhar
É também por isto que não posso
Não quero, nem dá para esquecer
Nem sequer para explicar
Mas é verdade... voltei a sonhar!"

...

Engano




São essas simples sílabas pronunciadas a quente que com um brutal poder se unem para me fazer sentir a agudíssima dor da desilusão.. e apenas porque o essencial sofre algumas distorções, porque os objectivos mútuos passam a desejos individuais...

É difícil vislumbrar a união do individual com esse colectivo que parece repentinamente inconciliável!
Porquê?
Na minha mente surge esta questão... será que algum dia haverá uma recompensa para toda esta espera? Será que surgirá de facto o dia em que o longínquo sonho se tornará mais real?
Será que não temos vivido uma longa e doce ilusão que vai gradualmente amargando?

...

Mantenho no meu íntimo o desejo de estar enganada... e de tudo se manter em mim...mas não sei até que ponto isso é em si um engano, nem sei até que ponto me tenho enganado.