sexta-feira, outubro 27, 2006

Hora do Reencontro



Branca, discreta e harmoniosa, assim é a paz a espreitar por entre as brumas dos equívocos e tristezas.
No mar de lágrimas se lavam as almas, se expõem os mais íntimos pensamentos e se partilham dores e mágoas tão agudas que pareciam para sempre permanecer como uma farpa em nós.
Mas das fraquezas se fazem forças, cessam-se as lágrimas, unem-se as almas no abraço dos corpos. Novamente um esboço de sorriso parece querer contrair-se na nossa face... Altera-se a nossa posição nesta montanha Russa emotiva, onde as emoções estão sistematicamente alternando altos com baixos, dando-nos a pitada necessária para sermos invejados pelos deuses, esses que não sabem o que é a mágica incerteza do dia de amanhã!

sábado, outubro 21, 2006

Um horizonte vago




Lembro bem aquele dia, o primeiro, em que a inconsequência de um sorriso e um olhar trocados para sempre marcaram dois destinos.
Foram breves dias que recordo com tantos momentos que por vezes parecem ter sido anos. Parece que sempre aí estive, que nunca saí desse momento em que ouvia a tua voz, em que te olhava, sentia o teu toque, o teu cheiro…
Estás longe... não te ouço, nem te vejo… sozinha continuo no entanto a sentir-te.. e sei que por mais distante que ele esteja, no limiar da minha míope visão... no meu vago horizonte… estaremos os dois!

Preocupar



Nunca te preocupes com quem não se preocupa, que para eles não há preocupações!

They'll never know how they hurt me...

domingo, outubro 15, 2006

Que belo dia!



Hoje voltei a ser criança, voltei ao velho desejo de poder pairar indefinidamente, voar ao sabor do pensamento!

Hoje voltei a olhar para mim, como se não me conhecesse, como se este não fosse o meu corpo… onde estão as minhas asas?
Não percebo, parece que voltei a ser a eterna ninfa que não evolui, que não passa pela tão desejada metamorfose…

Hoje… que belo dia o dia de hoje!

sábado, outubro 14, 2006

Mal me quer, não me quer



"Bem me quer, mal me quer"


Porque na vida só pode haver preto e branco... o bom e o mau... e todos os cinzas, todos os intermédios parecem repentinamente deixar de fazer qualquer significado!
E parece utópica a ideia de equilíbrio, a ideia de uma homeostase constante... parece que vamos alternando picos de euforia e depressão, de frio com calor, de luz com escuridão!
Parece que nós mesmos somos um dos extremos de uma corda, e que optando por um deles estaremos para sempre condenados a não conhecer "o outro lado", com quem lá está, com a visão e os pensamentos de quem olha o mundo de um outro prisma!
Parece que para além de extremistas, também tendemos para a intolerância sendo que tudo o que é diferente e oposto a nós, é mau!
Conseguimos personificar o ideal.. temos as nossas ideias, e como elas são nossas, automaticamente são boas! São brancas… e como só há branco e preto, bom e mau, “bem me quer e mal me quer”… as dos outros está-se mesmo a ver como são!

sexta-feira, outubro 13, 2006

Portal



Eleva-me, transporta-me para esse outro lado de um portal tão efémero… ainda te ouço vibrar em mim, ainda sinto as doces notas da tua melodia!
Com simples sons tomas-me, propagas essa sensação, essa ideia, esse momento perpetuado num acorde único…
Infortunada tentativa de tentar traduzir-te em palavras, triste realidade de não conseguir mostrar o quanto tu a mim me mostras!

sexta-feira, outubro 06, 2006

Outono



Esvoaçam amarelos e vermelhos num fundo cinza que é o céu.
Caem as folha, vêm bailando num percurso marcado pela gravidade…
A paisagem ganha novos tons, surge no solo um tapete multi-color que absorve os ruídos dos meus passos! Nada mais ouço para além do som da chuva miúda no chão, e o triste chilrear dessas muitas aves que sobre mim esvoaçam na dança amarga da despedida!
Respiro fundo, encho os meus pulmões com esse ar húmido e sadio, esse ar cheirando a terra molhada, dessa atmosfera pura!
Ele voltou, ele está aí… já todos os meus sentidos o detectam… fecho os olhos, ergo os braços, sorrio e cumprimento-o
“Bem-vindo sejas Outono… Já sentia a tua falta!”

quinta-feira, outubro 05, 2006

Estranhos Caminhos




Que estranhos caminhos nos trazem por este percurso, que peculiares forças nos movem, nos cruzam com outros, num acaso demasiado grande para o ser. Destino? Sonho? Coincidências?
Vamos tropeçando com dádivas que entram na nossa vida, pessoas que nos ensinam, nos fazem sorrir, pessoas que partilham connosco momentos irrepetíveis, como afinal, todos o são...
Que estranhos caminhos! Que nos trazem essas pessoas...mas que para nos lembrarem que nem sempre a felicidade pode brilhar sobre nós, também criam encruzilhadas, novos trilhos... e separam-nos!

Qual será o novo ponto de encontro? Quão longe estará ele?
Dizem que não muito, são “apenas” três meses, talvez mais...(espero que menos)... mas nunca uns simples meses pareceram tanto tempo!
Como sinto já a falta desses sorrisos, dessas gargalhadas, dessa força que vem da união!


Boa Sorte

domingo, outubro 01, 2006

Nestes dias




Num sorriso resumo os dias que me separaram deste encontro com o ego.
Dias há em que tudo acontece, em que a sorte não parece estar por perto, em que o desânimo começa a espreitar... Mas repentinamente o nó de problemas vai-se desfazendo, lentamente uma nova luz surge com um brilho muito mais forte e radioso...
Nestes dias eu cruzei com novas vidas, lhes mostrei outra realidade, fui feliz em vê-los sorrir e me lembrar de mim, também com lenço, também com medos....lembrei... lembro! E como umas simples cores podem significar tanto, e como uma simples veste preta tem uma ascensão tão mágica!
Nestes dias eu sorri, nestes dias eu chorei, nestes dias eu tive a revelação mais bela. Nestes dias eu abri a minha alma, falei directamente ao coração dos outros, ouvindo e sorvendo deles igual magia que brota do néctar da amizade!
Nestes dias... e como vou ter saudades destes dias!

Fotografia




"A Fotografia é um segredo sobre um segredo.
Quanto mais nos diz, menos sabemos"

domingo, setembro 24, 2006

Avó


Como o sorriso era meigo, como as suas mãos ternurentas, como num simples colo encontrei toda a paz e segurança que necessitei para crescer de um salto só…
Hoje fechando os olhos consigo ver-te mais nítida que nunca, consigo sentir o calor do teu regaço, o afago carinhoso da tua mão, inspiro profundamente e consigo sentir o teu cheiro…já vários anos passaram, meia vida se for exacta, mas não posso dizer que me deixaste porque nunca te sentirei longe de mim… mas gostava de te poder abraçar mais uma vez, e como gostava que me iluminasses com o teu sincero sorriso…

domingo, setembro 17, 2006

Um triste caminhar para a solidão!



Hoje o suposto é fazer um exercício mental.
Temos a seguinte situação: Pessoas, próximas, podem ser da família, amigas, o que importa ressalvar é que elas passam muito tempo juntas e gostam umas das outras. Assim sendo, essas pessoas, deveriam ser felizes, passar momentos agradáveis juntas, conviver, partilhar pensamentos, experiências, ser confidentes...
Então porque não acontece isso mesmo?
Porque é que essas pessoas começam a deixar de se ouvir, a ser insensíveis aos outros, porque é que as palavras se tornam ásperas e secas, porque é que se expõe todos os defeitos e se escondem as virtudes, porque é que lentamente se vai destruindo toda a cumplicidade e se vai dando espaço para a solidão em cada um?
Pessoas!
Poderia ser eu, poderias ser tu... todos passamos os dias a inventar problemas, a amplifica-los e renová-los constantemente... todos o fazemos com uma arrogância própria de quem pensa ter a absoluta "Razão”, de quem se pensa inatingível e quem não vê os dias e dias de vida que lentamente por si passam... só quando finalmente a morte bate à porta, sentimos aquele aperto, o amargo sabor do arrependimento.
Arrependemo-nos por palavras ditas, pelas que ficaram por dizer...mas principalmente porque aquelas pessoas, com as quais vivemos e de quem gostávamos nunca souberam o que realmente nós pensávamos, o quão importantes foram... E quando elas um dia se lembrarem de nós lembrarão aquela discussão, aquela palavra de desprezo, aquela ausência constante de alguém que sempre ali esteve… e como ninguém pode mudar o que já foi feito, o meu inglório trabalho é tentar mudar um previsível fim...


sexta-feira, setembro 15, 2006

Ruas Invictas




Sai a atonia que vive em nós, fervem ideias, acções são tomadas aos tumultos… Nas ruas vejo novamente corpos sem face movendo-se apressados, vejo-os nas suas rotinas, envoltos em problemas, insensíveis a quem por eles passa, ao homem que pede por um pouco de pão.
Ouço os milhares de passos que por ali trilharam parte de um caminho interminável… do meu canto, desta janela, claramente vejo a bolha onde cada um se isola, e se cega para todo o resto!
Mas sei que assim que me erguer do meu posto privilegiado, assim que sair à rua, também eu visto a minha bolha e participo igualmente neste impessoal modo de viver, esqueço o quão reprovável ele me pareceu…
Movo-me entre os muitos, invisível aos seus olhos, estou lá… contorno-me à realidade, acabo por me moldar e abandonar ao comodismo e cobardia. Também eu me torno surda aos passos dos outros, cega ao apelo do necessitado… Porque não está alguém à janela para me ver?

domingo, setembro 10, 2006

Palavras





Todos os dias as usamos, em conversas banais, conversas protocolares ,conversas de etiqueta...conversas. E usamo-las de modo mecânico, com rasgos de frases ouvidas daqui, dali...
Usamo-las. Num mecanismo interiorizado em anos de existência e para a manutenção da ideia de que "o Homem é um animal sociável". Usamo-las nestes rituais impostos, em conversas com quem passa, falamos do tempo, da família, falamos de tudo sem dizer nada... Na verdade, para que é que as usamos?

Palavras

Usamo-las e gastamo-las... em discursos repetidos, com conversas superficiais e sem conteúdo e quando mais delas precisamos, quando elas fariam a diferença, de tão gastas que estão, não nos parecem fazer sentido... e preferimos calar, ouvindo do silêncio a única Palavra de conforto...

Palavras...gasta-las para quê?

quinta-feira, setembro 07, 2006

Sorriso






Tímido, aberto, medroso ou discreto,
demonstrando afecto ou até mesmo desprezo.
Partilhado, escondido, pleno ou dividido.
É contrair os músculos descontraindo,
é mostrar um agrado… sorrindo!



terça-feira, setembro 05, 2006

À pessoa dos olhos de medo





Ping, ping... inúmeros pings se seguem e a minha janela é beijada por essa límpida água que mais uma vez cai do céu... como é bom, como conforta a alma este doce cântico! Permaneço quieta, apenas me movo muito depois, para me aconchegar nos lençois... na minha cabeça voltam lentamente as imagens de todos os acontecimentos de mais um dia passado! Sinto ainda o medo, os mil olhos a seguirem-me, ouço ainda a censura das almas respectivas...mais uma vez me invade o sentimento, aquele que já experimentei tantas vezes, sinto-me fraca, deverei utilizar o feminino?
Já não sei quem sou, não sei... não tenho mais a segurança no que me levou a transformar o corpo e a ser mais coerente com o que sentia. Não sei, já não me sinto o homem que era, nem a mulher que queria ser. Pareço um estranho híbrido e "estranho" é mesmo o que os outros pensam quando me olham! Estranho é de facto o mínimo, já não é o olhar de estranheza da parte deles que me fere...não, porque “estranho” eu sempre fui… mas agora… não sou mais o homem estranho que era. Sou a "aberração", o atentado a Deus, sou o que todos recriminam, sou aquele ao lado de quem ninguém se senta, sou aquele que ouve as piores obscenidades, a quem batem apenas porque sim... esse… ou essa… sou EU!
E o meu maior sonho torna-se um inferno vivo... quando o que mais desejava era ser mais fiel aos sentimentos, e tornar-me mulher, uma vez que foi assim que já nasci... quando decidi tomar a "atitude" assinei o meu próprio atestado de óbito.
Hoje nada mais sou que um espectro....

domingo, setembro 03, 2006

Mito da Música




Notas soltas, notas que esvoaçam, notas que vêm e vão, notas que ficam… como um suis generis elemento elas estão impreterivelmente presentes!
As notas relacionam-se, criam afinidades incompreensíveis para um ser como o humano e juntam-se em melodias várias. Se fossem de outra espécie à sua união se chamaria casamento, mas como de notas musicais se trata por convenção se denomina “Música”.

Com vários registos, inúmeras sonoridades elas constituem o auge no acto de comunicar, conseguindo muito mais eficazmente transmitir situações e sentimentos, é o instrumento primordial dessa raça que é a humana na comunicação intra-espécies, e como tudo começou?

Quando o mundo foi criado e com ela toda a vida, surgiram as notas musicais. Rapidamente as notas e a sua música encheram os céus, invadiram a atmosfera e como uma chuva preencheram os minúsculos habitáculos… contactaram com os diversos seres, mostraram na sua actuação toda a sua força e beleza, mas os pobres animaizinhos não percebiam o que aquelas vibrações com tradução sonora queriam indicar e todos eles se afastavam, amedrontados… e as notas continuavam, numa melodia triste a vaguear pelos ares… e através dos mesmos ares elas chegaram, chegaram aos ouvidos de um ente feio, desprovido de grandes armas, sem pêlo, dentes afiados ou garras, chegaram a um ser aparentemente frágil e sem maior arte, nem diferença para com os demais senão um brilho no olhar que dava porta directa para a “alma” órgão mágico onde se armazenava todo o poder da criatura.
A melodia da música chegou, mais uma vez se fez vibrar pela atmosfera na actuação que tantas vezes repetira…mas algo foi diferente, algo naquela débil criatura se alterou, o brilho de acesso à alma das esferas oculares intensificou-se, o brilho virou límpido líquido crescendo com cada nota musical, dilatando as esferas e abrindo cada vez mais a porta…até que com uma nota aguda, a música parou, os céus pulsaram, o chão tremeu… e dos olhos daquele frágil ser, caiu o brilho, o produto da alma, da mais forte das magias…caiu uma lágrima… e as notas, pela primeira vez foram compreendidas e sentidas e contra todas as suas mais felizes expectativas também elas conseguiram compreender e sentir igualmente o delicado ser.
Duas entidades se juntaram numa simbiose milenar, não mais o pequeno ser quis estar sozinho, nem a velha música incompreendida. Eles permaneceram ligados, como um… e ainda nos nossos dias a alma vibra de acordo com as notas musicais que nela entram e vice-versa!

terça-feira, agosto 29, 2006

Baloiço





Com altos e baixos, apoiada nas correntes seguras que são os objectivos traçados e suportada pelas individualidades que me ensinam a oscilar…assim vou aprendendo, assim vou crescendo, assim me vou torneando à realidade e fazendo pessoa…
E tudo se passa como uma criança sobre um baloiço de corda, que impaciente tenta subir cada vez mais, olhando para a sua própria sombra, e querendo ser maior… vendo com agrado que ela vai diminuindo com o passar das horas… mas tendo a criança como único objectivo ser maior que essa sombra, rapidamente sentirá a tristeza de não poder subir mais, a frustração e o medo de ver diante de si, devido aos movimentos solares, a sombra, crescer impetuosa, parecendo querer engoli-la. Cedo a criança chorará e sucumbirá à sombra!
Por isso, nos altos e baixos que tem a vida , apoiada nas correntes de objectivos definidos e suportada por gentes minhas eu vou aprendendo, eu vou crescendo, eu me vou torneando e tornando pessoa… mas nunca com a vontade de superar ninguém, para além de mim todos os dias!





Verdes Folhas





Olho as verdes e frescas folhas das árvores a bailar ao vento, em ritmos variados, ouço-as num leve sussurro… fecho os olhos e sinto-me abandonar o orgânico, sinto-me a flutuar em correntes de ar, por caminhos que pareciam esperar esta minha nova forma.
Saio pela janela, evado-me de casa, toco as verdes folhas frescas das árvores e faço-as bailar…faço-as cantar a canção dos murmúrios… daqui de fora, abro os olhos, vejo o sofá onde momentos antes me sentava… estou ali, ou pelo menos ali estou eu como me conhecia, com todo o pesado fardo que é esse corpo..aqui fora sinto-me leve, sinto-me livre! Aqui fora esvoaço a meu bel-prazer de encontro com as outras almas efémeras, aqui fora eu vejo os outros como eles são, sem me enganar pelo pesado fardo que é aparência!

sábado, agosto 26, 2006

Sol, calor, azul e mar...




Sol, calor, azul e mar... todos se vão lentamente despedindo, todos me vão recordando a eminência de um final cada vez próximo, vão-me lembrando da urgência de centrar as energias restabelecidas em objectivos bem definidos, fazem-me focar atenções num mundo diferente, real, o qual abandonei por alguns meses para viver num paralelismo fantástico.
Vejo já no limiar do meu horizonte, a caminhar a passos largos a infalibilidade de um ano com demandas únicas, com outros desafios, medos… mas sempre, com a certeza de ter a amparar as quedas do curso tortuoso que é o desconhecido o mais puro dos sentimentos.
Nunca o desconhecido me pareceu tão seguro, porque sei que qualquer que seja o seu semblante, não me irá fazer abalar… terei sempre a solidez da amizade… e quando as forças começarem a falhar, quando a segurança estremecer… lembrar-vos-ei: Sol, calor, azul e mar e a tempestuosa incerteza deixará brilhar novamente o cintilante e anil céu da felicidade!