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segunda-feira, outubro 22, 2012

Sabe bem, pagar tão pouco

Não, não fui convertida ao mundo do markting e decidi fazer uma análise a um dos slogans mais banalizados do país. É meramente uma adaptação dessa frase tão frequente à minha actual realidade.
De facto, sabe bem pagar tão pouco e assim mesmo ter o bastante. Cortam-se os excessos, as futilidades e espantem-se, ficamos com bem mais do que inicialmente. É a beleza das relações humanas. Não é uma questão de investimento monetário. Pelo contrário, quanto menos se complicam, quanto menos se paga e mais se sentem, mais crescem.
É um final de dia em família. A informalidade que caracteriza o núcleo. Por menos de nada é-se feliz e completo.
Lá fora pode estar a descer o gelo sobre a cidade. Cá dentro reina o calor. E pode ser tarde. Posso ter de estudar. Mas este tempo ninguém mo tira. Não se troca por melhor prestação, ou qualquer bem material.
Realmente, sabe bem pagar tão pouco. E ser feliz, não tem preço.
*

sexta-feira, novembro 02, 2007

Personagens




Os dias passam diante dos meus olhos, mas o meu estado de letargia não me permite fazer mais do que observar os movimentos, observar a entrada e expansão desse Outono que cresce e insiste em roubar de dia para dia mais uns segundos de luz.
Nada consigo fazer, nada consigo dizer, apenas a minha mente se encontra muito mais activa. Nela passam rasgos de pensamentos, como que imagens de um filme do qual gostamos muito e que já acabou. Continuamos a ver e a pensar nas personagens, figurantes que já pertenceram ao enredo principal, que mereceram lugar de destaque, mas que foram, não mais voltam.
Por razões incontroláveis à própria vontade essas personagens ocupam todo o pensamento, aparecem em todos os detalhes, a sua presença sufoca, torna-se dolorosa. De uma dor aguda e persistente que entorpece… nada mais consigo fazer, ou dizer…
Fico estagnada, suspensa no espaço, num tempo que se esfuma entre os dedos da minha mão a olhar o nada e vendo nele nitidamente os contornos dos momentos em que fui feliz!