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domingo, novembro 24, 2013

Presságio

O amor, quando se revela, 
Não se sabe revelar. 
Sabe bem olhar pra ela, 
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente 
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente… 
Cala: parece esquecer…

Ah, mas se ela adivinhasse, 
Se pudesse ouvir o olhar, 
E se um olhar lhe bastasse 
Pra saber que a estão a amar! 

Mas quem sente muito, cala; 
Quem quer dizer quanto sente 
Fica sem alma nem fala, 
Fica só, inteiramente! 

Mas se isto puder contar-lhe 
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe 
Porque lhe estou a falar…

(Fernando Pessoa)

quarta-feira, agosto 21, 2013

Fernando Pessoa

"Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas. 
 Se achar que precisa voltar, volte! 
 Se perceber que precisa seguir, siga! 
 Se estiver tudo errado, comece novamente. 
 Se estiver tudo certo, continue. 
Se sentir saudades, mate-a. 
 Se perder um amor, não se perca! 
 Se o achar, segure-o!"

sexta-feira, novembro 16, 2007

Cartas de Amor



"Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas."

Fernando Pessoa