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sábado, setembro 05, 2009

Encontros - I

"Era um café, por favor."
Saiu de forma automática. Apenas o disse com a cabeça levemente levantada em direcção ao empregado, para não parecer arrogante. Olhou-o, mas tampouco o viu. Para si tudo se resumia aquele compasso de espera. Minutos? Horas? O tempo tinha então uma outra dimensão. E as unidades que o medem tinham perdido toda a lógica.
A chávena surgiu diante de si. Com os olhos fixos no líquido escuro, enquanto o fazia balançar circularmente, inalava o seu perfume. Neste ritual quase sagrado que parecia não mais ter fim, perdeu-a o pouco que a prendia à realidade.

sábado, janeiro 31, 2009

Um caso curioso




"His books were banned and his words were like making love"

Não me importaria de ficar "nova" contigo!

sábado, maio 24, 2008

Fica!





Chegou ofegante, vinha a correr acelerada quando tropeçou com o seu olhar no meu. Tinha uns olhos de medo, fugindo de quaisquer outros. Mas eu vislumbrei-os, e fixei na minha mente aquela visão cor de avelã e toda a sua expressão de cansaço provocados por uma longa semana de trabalho!
Por momentos desejei aceder directamente à pessoa por detrás daquele olhar, desejei poder ver surgir o sorriso naqueles lábios, e partilhar com aquele corpo o abraço quente do alento.
Por momentos consegui imaginar todo o conjunto de cenários possíveis, formas de a abordar... senti o rubor ascender à face, agradeci nesse dia não ter feito a barba e conseguir desse modo disfarçar os pensamentos que me haviam percorrido a mente!
Parou mesmo em frente a mim, consegui tornear os traços do seu corpo, do seu rosto, as ondas do seu cabelo, imaginar as essências florais que as beijavam...
Estonteado com toda aquela beleza, segui em frente, olhos fixos nela, ela na minha direcção... a cada passo o aumento do ritmo cardíaco, quando por fim já bem perto ela levantou o olhar da mala onde rapidamente procurava as chaves, interrompi a fala que iria surgir nos lábios dela pedindo:
"Esta noite fica comigo!"

sábado, abril 05, 2008

Dizendo Calada




Falar...
Por vezes fazê-lo em demasia, não indica que se diga muito! Por vezes ela fazia-o por necessidade de se evadir dos pensamentos que transportava consigo, para conseguir ver nos outros aquele brilho que surge do sorriso, fazia-o inconscientemente, mas tinha alguma noção de que o fazia muito!
Falava...
Sobre as mais diversas coisas, sobre os mais variados assuntos. Talvez com medo de no silêncio encontrar os problemas para os quais nunca teve solução!
Nesse dia ela não falou...
Pela primeira vez desde que se recordava, faltaram-lhe as palavras, o raciocínio lógico, o fio condutor das suas muitas e variadas divagações!
Por não falar disse mais do que alguma vez tinha conseguido...

...e ele compreendeu!

quarta-feira, março 26, 2008

Lá fora é Primavera!





Lá fora ouve o chilrear longínquo dos pássaros, uma Primavera que chegou apenas para o lado de lá das paredes que a cercam. Por dentro o mais rigoroso inverno!
Está prostrada na cadeira de tantas circunstâncias, recostada a um tempo que teima em não deixar passar, presa a esse inverno emocional que se perpetua ao longo dos dias, ao longo do ano!
Dentro dela passam repetidas vezes os cenários que viveu, os sorrisos e momentos de felicidade.
Por ela passam lá fora, oportunidades de escrever nova história, de viver novos cenários, de se reencontrar com a felicidade.
Decidiu morar no inverno, decidiu fechar-se à Primavera... decidiu isolar-se e negar-se a algo tão básico como: viver!
...lá fora os pássaros chilreiam, lá fora é Primavera!

terça-feira, março 18, 2008

Cenário fictício!





Ela senta-se encostada na cadeira, fica a olhar com uma falsa atenção aos acontecimentos que ele, diante dela narra. Acena, de quando em vez, afirmativamente com a cabeça, como se concordasse com o que na verdade nem está a ouvir... pois há muito já se distraiu com os traços de rosto dele, já se perdeu no infinito dos olhos de cor âmbar. Sente já uma imensa saudade desses lábios carnudos que vão debitando palavras soltas, que lhe passam ao lado, por estar num outro mundo.
Ele pergunta-lhe alguma coisa. Ela apercebe-se que não se safará com um "sim" ou "não", tampouco com um acenar de cabeça... Sente-se envergonhada. Sente-se mal por não estar a prestar atenção ao que aquele homem diante dela estava disposto a partilhar.
Um tom rosado sobe prontamente às faces, e o rubor transporta consigo todo o calor e desconforto possíveis de imaginar. Da sua boca apenas consegue soltar um: "desculpa, não percebi..." muito desajeitado.
Ele apercebe-se, aproxima-se e acaricia-a ao de leva na maçã de rosto ainda vermelha: "Não ouviste uma única palavra do que eu disse pois não?"
Nela cresce a vergonha, nele a vontade de a beijar... de vontade à acção apenas uns centímetros... dos centímetros à realidade... um mundo!