segunda-feira, março 11, 2019

Deste lado

Deste lado finalmente e após uma grande pausa consigo olhar para a última partilha e ver o muito que mudou.
Estou exatamente onde me imaginava nos meus mais ambiciosos sonhos. Tenho a possibilidade diária de trabalhar o meu objetivo e faze-lo crescer ainda mais.
Se no momento em que pela última vez aqui vim me descrevessem um "dia-tipo" que agora abraço, acharia utópico… e como foi rápido.
Hoje projeto em novos objetivos lá para a frente, mas tenho de me obrigar a lembrar como é bom ir alcançando metas.
E porque nem só de angústias preencho este pequeno espaço, hoje obriguei-me a cá vir para deixar de forma perentória a felicidade que sinto por ter aproveitado todas as oportunidades para crescer - por não ter esquecido o que me motivou e motiva a viver esta profissão. Terei sempre comigo a ansia de melhorar diariamente, mas hoje dou-me ao pequeno luxo do (auto)reforço positivo.
Tem sido um verdadeiro sonho… tornado real a cada acordar.
E só pode melhorar. Porque tenho comigo os melhores (amigos, familiares, cara-metade..) e porque 26/04 espreita. E vai ser apenas perfeito.

sábado, outubro 21, 2017

Quase quase


Sempre trouxe um sabor amargo: quase! O cansaço que transporta a percepção de ainda não ter alcançado.
Ouvir "quase" quando já esgotamos toda a energia é de um desalento desumano. Mas é isso mesmo... "quase" e o mesmo repito dezenas de vezes por dia... todos os dias um pouco mais.
Ao longo dos últimos meses fui reconquistando  o meu lugar, voltando ao sítio de onde não deveria nunca ter sido obrigada a partir em primeira instância. Hoje parece que na mão tenho apenas o nada... mas não... ela está "quase" repleta... no horizonte próximo tenho um mundo novo e nele tenho-me a mim novamente.
Quase! Agora continuemos para concretizar o pouco que subsiste e tem de ser conquistado.

Obrigada! A todos os que desde o projecto desta aventura estiveram comigo.
Obrigada também a quem de uma ou outra forma me permitiu aprender.

sábado, maio 13, 2017

Enquanto houver vida

Está-me impregnada: esta melancolia acompanha-me desde que tenho memória. 
É quase como um traço da personalidade. Reflecte a parte menos feliz da sensibilidade. Mas curiosamente, esta parte faz-me ainda mais feliz.
Não entendamos sensibilidade como sinónimo de choro fácil, não é a isso que me refiro (apesar de também o ter), entendamos sensibilidade como aquela atenção ao detalhe, a leitura da mensagem muito para além do que é dito. 
No fundo é como se de um amplificador se tratasse e como consegue destacar pormenores de beleza intraduzível, também potencia as emoções a um expoente que as torna algumas vezes de uma intensidade dolorosa.
Mas sou assim, e sei que assim serei enquanto houver vida. Não consigo imaginar uma vida de outra forma sequer.
O que interessa é que a amostra seja positiva, para desta forma amplificar experiências igualmente boas.
Já que não posso alterar este detalhe, cabe-me a mim tentar encontrar a melhor realidade para o exercitar. E está quase. Só mais umas semanas.
:)

quinta-feira, abril 20, 2017

Ecstasy of Gold

No último dos momentos. Quando parecemos querer deixar o corpo sucumbir. Desistir. Quando parece que as forças escasseiam. Vocês vêm, tomam-me a mão, voltam-me o olhar para o lado luminoso da mesma realidade que momentos antes se apresentou sombria.
Os meus são os melhores.
Tenho os melhores amigos do mundo. Não por serem piegas, por estarem comigo de forma física e constante. Mas porque o são verdadeiramente. Porque sei que os tenho aqui bem perto a amparar cada passo mais tremido. E porque posso pensar que não estão atentos e nem se apercebem, mas como por magia em todos os momentos mais exigentes eles (quase sempre os mesmos) surgiram do nada, tomaram-me as dores, vestiram-nas como suas e juntos fomos sempre maiores.
Obrigada!

quarta-feira, março 29, 2017

Tanto de nada


Com uma mão cheia de nada. Foi assim que sai hoje.
O que faltava em soluções, sobrava em vozes que gritavam dúvidas aos meus ouvidos.
A sensação de encruzilhada. De falta de perspectiva. A lenta e sofrida perda de esperança.
Não conhecemos as lutas de quem nos rodeia. Não podemos ser julgados por isso. Podemos no entanto estar atentos aos pequenos pedidos de auxílio.
Nem todos dramatizamos. Nem todos iremos expressar as nossas dores e dificuldades do mesmo modo. Mas nunca devemos desvalorizar.
Hoje foi comigo. Mas que possa ser convertido numa lição. Em algo benéfico para o futuro. Que nunca me seja permitido esquecer como fere a sensação de descredibilização. Se foi grave o suficiente para levar a uma manifestação verbal... então deve ser encarado como grave o suficiente para carecer de uma consideração.
O doente muitas vezes mais não precisa do que a (embora fictícia, por vezes...) sensação de ser compreendido. 

terça-feira, março 28, 2017

Interna



Em pleno desenrolar dos acontecimentos é difícil ter a clareza de espírito necessária para que nos possamos pronunciar devidamente.
Esperava que fosse desafiante. Não defraudou. No entanto as expectativas eram relativas a uma realidade algo diferente.
A cada dia se vai somando um novo desafio. Mais algumas dificuldades. Muitas lições. Não podia no entanto ser maior a clarividência do tanto que ainda não sei, da imensidão de coisas que há para aprender.
Foi por este desafio contínuo que batalhei largos anos.
Muitas são as minhas limitações. E de mais limitações, vou ganhando consciência a cada dia.
No entanto, como a minha grande mentora me disse outrora "os meus únicos juízes são os meus alunos (ainda não me posso pronunciar muito neste âmbito...) e os meus doentes". Tento ter esta máxima presente comigo, mais ainda, tento que ela não me abandone quando sinto o peso de atitudes menos justas ou simpáticas, de pessoas que há muito se esqueceram da força que as palavras erradas em momentos determinados podem ter de forma irreversível na vida de outrem.
Nunca sabemos as lutas que quem nos rodeia atravessam. Se isto é válido para os doentes, internados, a quem tentamos dedicar o nosso melhor, é-o igualmente para o nosso par.
Espero nunca deixar que a insensibilidade tome conta de mim. Porque isso seria perder por completo a lógica do que me levou a iniciar esta viagem.
E mais uma vez me deito com a esperança que amanhã seja um dia ainda melhor. Especialmente amanhã, em que mais uma vez irei oscilar entre as posições opostas, de médica a doente em menos de nada. E que surjam algumas resoluções.


domingo, fevereiro 12, 2017

Sim

Simples assim. Como só as coisas boas sabem ser.
Porque afinal 2017 também me reserva coisas boas!




quarta-feira, janeiro 25, 2017

Argumento de uma irónica vida

Os melhores guionistas teriam dificuldade em conseguir captar e transmitir de forma credível as ironias e coincidências que acontecem diária e constantemente na vida de cada um de nós.
Quantas vezes damos por nós a reproduzir a célebre frase "isto contado, ninguém acredita"... Quantas vezes, ao pensar que algo já é surreal, é adicionado algo ainda mais inimaginável.
Quando se tratam de coincidências felizes, aceitámos. Assumimos que é mágico: no caso das relações humanas, achámos mesmo que é o "destino". Pior é quando as coincidências e sucessão de acontecimentos que nos vão acontecendo são desafortunados. Aí dividimo-nos entre reacções de cólera, revolta, ou como se vai vendo aqui e além, convicções  de se tratar de energias superiores "maus olhados"... you name it!

Somos um bicho muito estranho.

Esta mania de racionalizar tudo,ou melhor, de tentar justificar tudo (que muitas das justificações de racional, têm pouco) vai-nos lentamente levando para um cansaço, desgaste e destruição inevitáveis.
Por ora, e face aos acontecimentos que se têm vindo a suceder ao longo dos últimos meses, tento somente manter toda a tranquilidade que esteja ao meu alcance.
A convicção de que tudo acabará por correr bem, tenho-a comigo.
Se traz mudanças face ao que porventura poderia ter perspectivado para o meu curto/médio prazo? Sem dúvida.
Mas isto só me relembra como é arriscado projectar. Como devemos ser cautelosos em imaginar que teremos esse tempo, que ninguém em boa verdade nos garantiu.
Se os planos que eventualmente tinha em mente não forem coincidentes com a realidade que se avizinha, existe apenas um responsável: eu. Por ter criado expectativas. Por ter "falhado" na leitura do que seria... e novamente... ao dizer que falhei, estou a incorrer na mesma falha: assumir que já sei o desfecho e que ele será forçosamente diferente do que eu inicialmente vislumbrei. Mas quem sabe? Ninguém sabe o que reserva essa entidade que existe unicamente no nosso imaginário. Não sei o que cabe nesse futuro. Mas acredito nele. E tudo farei para que seja a minha perspectiva mais feliz. Mesmo com o risco associado.

Venha o 6 de Março. Sem ansiedade, nem conjecturas. Venha com o que tiver para mim.
Cá estarei.

sexta-feira, dezembro 30, 2016

O teu dia

Entre a exigência dos dias se faz o impossível para arranjar tempo. 
Embora escasso, a falta dele nunca poderá ser invocada para justificar a nossa ausência em momentos importantes, porque todos temos essencialmente o mesmo tempo. Temos é prioridades e interesses diferentes e por conseguinte a forma como preenchemos o nosso dia acaba por refletir as nossas escolhas e o que consideramos efetivamente imperdível.

Foi a sexta vez que pude contribuir e participar no teu dia "oficial". Espero contribuir activa e positivamente de forma diária ao longo do resto do ano. 
O ano que se avizinha vai ser para nós desafiante e exigente individual e colectivamente. Como no fundo têm sido todos à sua maneira.
Apesar de ser o teu dia de "prendinhas", aproveito para agradecer a maior que me foi dada, através da nossa cumplicidade e união:

Obrigada pela família que construímos diariamente. E por esse porto seguro que representas em todos os momentos. 


Que venha a 32a edição. Porque será sem qualquer dúvida extraordinária. 
LY

segunda-feira, dezembro 19, 2016

Fear

E assim de repente se abre a caixa de Pandora.
Sempre ali esteve, a espreitar, esta sensação. Era como tentar esconder um monstro num armário de dimensões infimamente inferiores e espera que Não se dê pela sua presença.
Hoje finalmente a questão colocou-se.
A resposta à questão é tudo menos certa, amanhã esperam-me elementos para acrescentar ao cenário. Mas tornou-se real. Tangível. Esse aperto dolorosamente sufocante e que dá por nome de medo.
Racionalmente quero tentar relevar e aguardar o próximo passo. A aplicação da teoria, na prática é bem mais difícil.
Veremos o que me aguarda.
Esperemos que não seja um pronuncio de um Natal manchado.

quinta-feira, dezembro 01, 2016

Comunicação

Comunicar é um desafio constante. Apesar de ser impossível não comunicar: porque mesmo que não queiramos, até através do silêncio transmitimos uma mensagem, conseguir faze-lo eficazmente é uma arte.
Até para que a nossa mensagem seja passada temos de estar na mesma frequência do recetor. Temos de conseguir em primeira mão essa sintonia, antes mesmo de conseguir estabelecer a ponte para a transmissão de mensagens.
Claro que tudo se torna ainda mais difícil quando cada um vai na sua bolha, com os seus problemas, alheio ao meio envolvente. Mais ainda quando nós próprios nos encontramos no limite das forças e sem aquela plasticidade necessária para desconstruir e aproximar do outro que não faz o meio esforço para nos encontrar algures no caminho.
Este ano que se avizinha será sem dúvida nenhuma um ano de luta interior e introspeção. Se há mensagem que gostava de ter sempre presente, principalmente nos momentos-limite é mesmo esta: não há necessidade alguma, nem ganho, em entrar em discussão ou tentativa de conversação com alguém que se encontre numa frequência completamente diferente. É um esforço vão.

Por isso sempre que tentares escrever as tuas necessárias e sentidas frases de incentivo e ânimo, antes de as verteres como soro para um meio imiscível, vem cá. Exprime-te aqui. Lê e reserva esses e tantos outros pensamentos para momentos posteriores, momentos teus.

Porque se há lição que tens de levar contigo para a vida é que as palavras são a arma mais destrutiva para a esperança e auto-estima de alguém. Não tes nenhum direito de a empregar no sentido de prejudicar alguém, mas deves sim preservar-te de situações que te exponham às palavras e feridas delas resultantes das bocas de quem não tem o mesmo cuidado.

terça-feira, novembro 01, 2016

Round 2


Segundo começo.
Desta vez mais a Sul, um duplo recomeço: estágio e maternidade.
Espero ter as oportunidades que no CMIN me disponibilizaram. Da minha parte a dedicação será a resposta.
Cada dia é um prazer. A sensação de ter conquistado aquele lugar, de estar na melhor fase de transição possível. Ter a oportunidade de receber alguém e ajudar na aprendizagem.
Foi para isto que eu trabalhei arduamente ao longo destes anos, foi por momentos destes que persisti no sacrifício. Com toda a sinceridade e com o coração cheio eu sei: Valeu a pena.
E como é bom confirmar que resistimos a tudo. 
Obrigada!
LY

quarta-feira, outubro 12, 2016

Ponto gatilho

Estar à altura das próprias expectativas não é fácil, acima de tudo quando as colocamos por cima.
Pior ainda se tornam as coisas, quando a pressão vai lenta mas progressivamente subindo.
A fase teórica ficou para trás. Com ela vai igualmente ficando a aparente segurança e até os mais simples passos são questionados.
É um exercício saudável. Mas leva a níveis mantidos de cortisol que em breve reverterão os (sofridos) resultados alcançados de intensos dias de treino religioso.
Consigo antecipar uma nova onda de publicações dentro desta temática. Só espero conseguir ir evoluindo diariamente e transformar continuamente esta pequena sensação de frustração em estímulo persistente para melhorar e aprender algo, todos os dias.

terça-feira, agosto 09, 2016

*Day 2*



A data já de si tinha o seu significado. Mas agora outras efemérides se acrescentam merecedoras de celebração.
Ao sexagésimo primeiro aniversário da progenitora e com uma comemoração de um lugar no pódio de uma luta de vários anos de um amigo, juntou-se o meu pequeno ponto de viragem.
Somos 1.
Bem sabemos que haverão os seus desafios e momentos. Mas juntos já fomos desatando tantos nós, juntos já trilhamos muito caminho, enfrentamos desafios e sempre foi mais fácil contigo.
Hoje, já com a calma dos dias que permitiram apaziguar as emoções, sabia que tinha de vir a este meu pequeno registo e também aqui deixar a nota de uma das decisões mais sérias, e mais pacífica que tomei. Porque independentemente do que esteja para nós reservado no futuro, tenho plena certeza que só assim faz sentido. E já não era sem tempo.

(escrevi isto no intervalo que a inicial escrita da tese me permitiu, não é o texto mais fabuloso e inspirado que já escrevi... mas é feliz... estou-o genuinamente... Porque nada reconforta mais do que olhar para o relógio e saber que em pouco tempo entrarás pela porta e partilharemos pequenos momentos da rotina que é de ambos. E apesar de tudo. Já tenho saudades tuas.)

*E desta forma se inicia um novo capítulo no guião que aqui vou escrevendo com maior ou menor assiduidade. E que colorido e feliz me parece ele*

quinta-feira, julho 07, 2016

Balance




E de repente chegou o tão desejado dia.
Última. Não terei mais nenhuma época de exames.

Foi inclusivamente difícil de gerir o impacto real. É ambíguo o sentimento que por um lado me lembra todas as pequenas e grande lutas e por outro lado faz sentir um "já" está.
Nenhuma outra época de exames correu bem como esta. Apesar do cansaço, do desgaste e da habitual dificuldade e exigência, foi sem dúvida o mais equilibrado período de avaliações.

Nunca me será fácil expressar por palavras a explosão de sentimentos que nos invade e nos faz percorrer todo o gradiente de sensações em segundos. Mas o mais engraçado é que não é preciso expressar. São coisas que não se relatam, não se transcrevem, apenas se sentem.
Sei que poucos são os que sentiram os altos e baixos deste percurso como se seus fossem. Mas são a minha maior e sincera riqueza, são os pilares que me foram suportando até aqui.

Ainda bem que não desisti deste "sonho", deste objectivo. Ainda bem que continuei a trabalhar com ele em mente, mesmo quando todos consideravam um capricho. Ainda bem que não desisti quando os obstáculos foram crescendo e revelando-se dolorosamente difíceis.
Obrigado a todos os que me deram a mão. Obrigada ainda aos que usaram a mão para me empurrar lá para baixo, porque sempre fui de dar ainda mais contrariada, ou quando de mim duvidam. Por isso obrigada por me mostrarem o foco, e me fazerem perceber que a única pessoa com quem compito diariamente é comigo.

"Já está."
Agora venha a prática clínica, venham doentes e desafios. Embora não me sinta verdadeiramente preparada, estou pronta para crescer nessa realidade que deixou de figurar apenas no meu imaginário.

quinta-feira, abril 28, 2016

*My weapon of choice*


Que me seja permitido empregar-te muitos, longos e produtivos anos.
Espero conseguir continuar a crescer contigo todos os dias. Nesse processo eternamente incompleto que é o de trabalhar para o mais próximo que for possível da perfeição.
Em breve seremos lançados à nossa própria responsabilidade. E não seremos infalíveis. Tentemos portanto, que as nossas falhas sirvam de lição. Trabalhemos para que elas sejam no menor número possível.

Assim se passaram alguns anos. Hoje estamos a um pequeníssimo passo de terminar o longo trajecto de exames que o meu currículo já alberga. Mas nenhuma avaliação será maior que a diária, com vidas, com pessoas.

Espero continuar idealista muitos anos.
Espero continuar a acreditar que os sonhos se tornam realidade e que nada define os limites do possível para além de nós mesmos.
Espero continuar a remar contra a maré dos que cedem à tentação do facilitismo. Mesmo que para isso se tenha de pagar o preço que me "forçou" a penar até aos 30 anos. Mesmo que para isso o esforço para o mesmo objectivo pareça maior.

Valeu a pena!!!
Vale sempre a pena, ir pelo caminho certo. Sem abdicar da nossa consciência.
A minha verdadeira arma....
*My weapon of choice*

terça-feira, fevereiro 23, 2016

Therapeutics



Medidas higiéno-dietéticas. 
Vulgarmente conhecidas por "terapêutica não farmacológica". Pequenos cuidados tão mais importantes que esse mecanicismo, que se adquire quando outra solução não existe, baseado na ingestão de pequenas cápsulas.
Preciso disto com a mesma voracidade com que preciso desse almoço numa manhã de consultas, ou de uma noite de repouso depois de dias de aulas (estritamente) teóricas.
Temos tendência a dar a estes momentos de higiene mental, de ressincronização corpo-mente uma dimensão menor. 
Por tradição, por um lado, por ignorância por outro. 
A mente não se vê, tampouco as condições que a afectam são acessíveis aos demais. Não pode ser mensurada de forma linear a sua limitação funcional. Por tudo isto, por muito mais, achamos sempre que descansar, relaxar, tomar algum tempo não pode ser senão um capricho.
Não pode ser uma visão mais errada. E é um erro que se tende a pagar, caro e com juros.
Por isso a todos que conheço, a mim em menor frequência, tento sensibilizar para esta forma de terapia: profiláctica, segura, sem efeitos secundários ou interacções medicamentosas e muito mais eficaz que o Calcitrin (MD ou Rapid).

Por isso sigamos neste que é o último (até me comovo de escrever isto) semestre de aulas.
Que o sorriso no rosto seja a constante. Apesar de tudo. Porque todos os dias estou mais perto do que quero ser.

segunda-feira, fevereiro 15, 2016

My Valentine


Já lá vão uns quantos anos.
Sabemos que as coisas não poderiam estar melhor quando nem nos esforçamos para que este dia seja especial. E o jantar se desenrola com a cumplicidade do costume, em que quero saber mais do teu dia, e tu do meu. Interesse genuíno.
Não são as prendas, nem todo o aparato que se gera em torno do evento que conta. O importante é olhar-te e ver em ti todos os dias a pessoa que quero comigo. Compreender-te na forma como chegas a casa, perceber o "sim" no teu "não" e o seu inverso.
Ensinaste-me que a felicidade se faz a cada dia. Ensinaste-me a ver o melhor em mim, a valorizar mais o que de positivo existe e a relativizar um pouco a adversidade.
Sei que terei sempre o calor do teu abraço, a ternura da tua voz e o respeito e sinceridade como alicerces da nossa história.
Escrevo esta publicação no dia a seguir ao dia dos namorados, não por teimosia, mas precisamente porque sinto que todos os dias que tivermos pela frente serão dias dos namorados.
Uns mais fáceis, outros mais difíceis, mas em todos eles continuarás a ser a minha pessoa, a única que consigo conceber do meu lado.

*MyValentine*

terça-feira, dezembro 15, 2015

Volatilidade

Leve e transitório: como um "para sempre" o pode ser.

Nos trilhos dos dias aprendemos a ouvir para além do que é dito, a conhecer os "nãos" que são sim, os "nunca" que não contam e os "sempre" de prazo determinado.
E parecem raras as vezes em que a linguagem verbal se funde com a não verbal. Uma forte e ambígua luta interna parece acompanhar-me desde esse dia.
Depois de ter provado o travo amargo da perfeição das acções, construídas num rol de frases intocáveis e ocas, internamente prometi-me não mais ceder a esse brilho baço do "conto de fadas".

E não cedi.


Hoje tenho a convicção de ser rodeada de laços sinceros e sentimentos verdadeiros.
A paz mora nestas pequenas certezas.

É irónica a ambiguidade. Como a condição humana, de natureza insatisfeita, faz sempre procurar mais. Conheço-te como se calhar nem tu o sabes. E mesmo sabendo que nunca acontecerá, é uma teimosia inexplicável que me faz persistir nesta "luta".
O lamento que me invade por não o teres feito é algo que nunca conseguirei processar, ou transcrever em palavras. Talvez um dia. Não hoje.
Mas é um lamento apenas, nada ofusca o mais que se ergueu por debaixo dos nossos pés e nos elevou até aqui.

E apenas uma nota final para esta que é a última deste ano em aulas. E para além desta, apenas mais uma. A luta que bati, só eu a sei, partilhei parte com alguns, apoiei-me em poucos. Mas está aí à espreita.
E vai ser um ano de velocidade máxima.

E que seja doce*